terça-feira, 23 de junho de 2015

"Joana, com 17
namorando a mais de um mês
Já pagou até boquete
mas sexo ela não fez
"Não quero putaria"
falava o papai
mas o namoradinho ria
haha
"não quero nem saber"
você vai fazer, se me ama"
só quero saber de papai
com mamãe
na minha cama
No outro dia
o pai tava lá embaixo
a Joana também! por baixo do namorado!
Ela sendo despida
ele pelado
E apesar de tudo que diziam
ela sabia que não era um pecado
"coloca a camisinha"
"ô Joana, sem é mais gossstoso,
é só reza pra deus,
ele benze o meu gozo"
Joana não queria, mas acabaram fazendo
fizeram na fé
"Deus, eu fico te devendo"
Mas Deus não perdoou...
A pílula falhou!
Chazinho não funcionou!!
Joana enjoou!!!
Será que engravidou???
(Será amor? amor...?)
namorado fugiu
pra onde ele foi? alguém viu?
"O que eu vou fazer?
Pra quem eu vou contar?
Não quero esse filho, eu vou é me matar!
Não... vou falar pra Maria, do salão
Ela vai entender a minha situação"
Joana, contou todos os lances
"não conta pra ninguém"
"não conta pra ninguém"
"não conta pra ninguém"
"não conta pra ninguém"
"não conta pra ninguém!!!"
Joana...
todo mundo já sabe do teu neném!
"Vagabunda, engravidou na adolescência!
Na hora tava bom?
vadia sem consciência!
Olha lá? ela falou em abortar!
abortar?
Por que não pensa logo em se matar?
assume (assume!)
assume (assume!)
assume (assume!)
assume (assume!)
E lava esse teu perfume de vagabunda
que nojo dessa buceta
cobre essa tua bunda!"
cala tua boca, ANDA DE BURCA!
Joana chorava,
não tem mais ninguém
ta que nem muita prostituta
sem família, e com neném
E agora, e agora?
meu pai vai me espancar
mas ah, tem jeito
...
mamãe me ensinou a tricotar.
Sangue e choro... no chão do banheiro
morreu mais uma vagabunda
aos olhos do Brasil inteiro
aborto sem sucesso
país sem progresso
...
Me traz mais um chá de canela
que a próxima deve ser a Gabriela."

(via: autonomia feminista)

sábado, 13 de junho de 2015

SONETO 141


Por crer, não te amo com meus olhos,
Pois eles em ti veem mil defeitos;
Mas é meu coração que ama aquilo que desprezam,
Que, apesar de ver, se comprazem com o que sentem.
Nem se alegram meus ouvidos ao som de tua língua;
Nem sentimentos doces nascem de teu toque,
Nem sabor ou perfume são bem-vindos
A qualquer festim sensual a que me convides:
Mas meus cinco sentidos não podem
Dissuadir um coração tolo de servir-te
Que deixas imperturbado como um homem,
Escravo e vassalo de teu coração altivo:
Somente em desgraças conto os meus ganhos,
Pois aquela que me faz pecar, também me faz sofrer.
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
Bertolt Brecht

sexta-feira, 17 de abril de 2015

"Love is louder than the pressure to be perfect"

"Sorrir não mata. Viver não dói. Abraçar não arde. Beijar não fere. Rir não machuca. Você não tem motivos para não tentar ser feliz" Cazuza

"If you don't live for something, you'll die for nothing"

"Fale anjo, outra vez, pois você brilha
Na glória desta noite, sobre minha cabeça,
Como um celeste mensageiro alado
Sobre os olhos mortais que, deslumbrados,
Se voltam para o alto, para olhá-lo

— William Shakespeare, Romeu e Julieta"

"Livros e músicas me entendem. Pessoas não."

"Chegará o dia em que o homem conhecerá o íntimo dos animais. Nesse dia um crime contra um animal será considerado um crime contra a própria humanidade." (Leonardo Da Vinci)
Ninguém tem todas as respostas. Às vezes, o melhor que podemos fazer é pedir desculpas e deixar o passado no passado. Outras vezes, precisamos olhar para o futuro e saber que, mesmo quando achamos que vimos de tudo, a vida ainda pode nos surpreender e ainda podemos surpreender a nós mesmos.
Ele é só um cara e não a sua vida. E não todos os dias da sua história. E não todas as suas lágrimas juntas em um único sábado solitário. Ele não é o destino. É um cara. Existem muitos destinos. E quer mesmo saber? É um cara como todos os outros caras. Esse que te perguntou as horas no meio da rua – podia ter sido ele e você nem ligou. O mendigo, o ginecologista, o padre. Ele estava ali o tempo todo. E ele não estava. Ele é só um deles. Vários. Uma legião. E ninguém.
Ele é só um cara que mal sabe escolher os próprios perfumes. Não sabe sangrar. Não sabe que nome daria a um filho. Não pode ficar mais tempo. Ele é só um cara perdido como muitos outros caras que você encontrou. E perdeu. Ele é só um cara, e não o seu oxigênio. Ele é só um cara e você já esqueceu outros caras antes.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Sou feminista.
Dentre várias razões porque
quando eu estou sozinha
numa rua escura
levemente alcoolizada
no meio da noite
e escuto passos atrás de mim
Apavoro.
olho pra trás e percebo que
não há sensação mais reconfortante
do que ver uma mulher
e eu sei
que ela está aliviada
em me ver também
olhares que se tocam
e silenciosamente dizem
"obrigada"
(nossa irmandade sempre existiu)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Porra

O que eu quero? Uma porra de um contato social. Eu fico o dia inteiro nessa porra dessa casa sozinha. A dinda é uma parede! Uma parede! Zero social. E eu fico que nem uma porra de um cachorro às 17:30h esperando você abrir a porra da porta e vir conversar comigo. E você vai pra onde? Pro salão, pro pilates, pra drenagem, pra casa do caralho!!! O meu problema é precisar demais de você. Eu preciso demais de você e me odeio por isso. Odeio, porra.